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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Fundação Pedro Calmon lança editais de apoio a projetos de valorização da Cultura Negra - BA
Cultura Negra dá dinheiro? Para o bolso de quem? - BA
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
IV Encontro de Arte de Matriz Africana - RS
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Acervo Digital de Cultura Negra Brasileira - CULTNE
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Grupo Cama de Voz recebe Clécia Queiroz - BA
|- ACONCHEGO DA ZUZU -|
Todo Domingo, a partir das 13hs.
Rua Quintino Bocaiúva, 18 - Garcia.
(71) 3331.5074 - 3331.8149
Referência: Fim de linha do Garcia
SOBRE CLÉCIA QUEIROZ
Dona de voz macia, suave e doce, Clécia Queiroz vem, há treze anos, desenvolvendo uma das carreiras mais promissoras e consistentes da música baiana. Seu trabalho tem ritmos autênticos da Bahia como o samba, mas também tem blues, funk, new-bossa, frevo, afoxé e referências ao candomblé. É música que procura se embrenhar na cultura local, revisita o berço, mas busca estar antenada com a modernidade e o mundo globalizado. Clécia além de cantora e compositora, é mestre em Performance Art pela Howard University, bailarina formada pela Universidade Federal da Bahia e atriz premiada, com alguns dos mais importantes troféus da sua terra. Seu primeiro show, intitulado “Blue Moon” realizado em 1994, rendeu-lhe quatro indicações para o Troféu Caymmi. A partir daí, sua carreira seguiu em ritmos sempre ascendentes e culminou com o disco Chegar à Bahia, lançado em 1997, através do Prêmio Copene de Cultura e Arte, com show homônimo no Teatro Castro Alves - Salvador. Em Salvador, fez shows em vários teatros e importantes projetos em Salvador como o Petrobrás de Música, Sua Nota é um Show, dividindo o palco com Leila Pinheiro, Música no Parque e Projeto da Palavra, de Jorge Portugal, como anfitriã, trazendo como convidados Jorge Mautner, Virgínia Rodrigues e Márcio Melo, Lazzo e Capinam. Clécia tem trilhado um caminho por importantes espaços de cidades brasileiras, a exemplo do Teatro Crowne Plaza, Sesc Pompéia e Ipiranga em São Paulo, com boa repercussão de público e da crítica especializada. Vem desenvolvendo também uma carreira internacional, tendo participado de importantes mercados culturais na Alemanha, Espanha e Estados Unidos. Entre 2003/2004, Clécia criou e desenvolveu, com sucesso em Salvador, o Projeto Casa do Samba, realizando a cada sexta-feira um show de samba, antecedido por uma roda de choro formada por diversos grupos de choro de Salvador. No show houve sempre a presença de convidados, artistas que fizeram e fazem a história do samba e da MPB na Bahia, como Edil Pacheco, Walmir Lima, Roberto Mendes, Gerônimo, Lazzo, Andréia Daltro, Tonho Matéria, dentre outros. Depois de estudar por dois anos na Howard University em Washington D.C., realizar concertos, performances, gravação de trilha sonora para peças de teatro, vários shows de seresta e MPB promovidos pela Embaixada Brasileira, Clécia Queiroz retornou à Salvador com mestrado em Performance Art. Na Howard foi apelidada carinhosamente de Bilie Holiday brasileira pelo seu professor de Jazz Vocal Master Class, Mr. Grade Tate – legendário percussionista e vocalista que tocou para Ella Fitzgerald, Sarah Vaughn, Aretha Franklin, Lena Horn, Quincy Jones, Tony Bennett, Stan Getz, dentre outros.
domingo, 1 de novembro de 2009
Africantar estréia no Theatro XVIII - BA
Show Africantar
Onde – Teatro XVIII (Pelourinho)
Quando – 04, 11 e 18 de novembro (quartas-feiras), 20h
Quanto – R$5
Vozes – Ana Paula Albuquerque, Chicco Assis, Fábio Sacramento, Gil Ferreira, Raquel Monteiro e Tâmara Pessoa
Violão, guitarra, arranjos e direção musical – Paulo Mutti
Baixo – Ivan Bastos
Cavaquinho – Sérgio Müller
Percussão: Gabi Guedes e Dailha Mendes
Pesquisa e Concepção – Ana Paula Albuquerque e Chicco Assis
Direção Artística – Chicco Assis
Preparação Vocal – Ana Paula Albuquerque
Produção – Chicco Assis e Ana Paula Vasconcelos
Cenário, Figurino e Adereços – Renato Carneiro (Katuka – Mercado Negro)
Iluminação – Tiê Valente
Design – Ana Paula Vasconcelos
Foto Divulgação - Sora Maia
Corpo de Neguinho do Samba será velado até terça-feira - BA
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Grupo teatral Companhia Os Crespos
Histórico do Grupo
“Os Crespos” surgiu nas dependências de uma das mais importantes escola de interpretação do país, a Escola de Arte Dramática da USP instituição esta, que fora fundada por Alfredo Mesquita em atividade desde 1948. No ano de 2004, acontece um feito inédito na EAD, ingressam cinco alunos negros, e três no ano seguinte. Houve uma organização desses alunos, que tinham em comum a vontade de discutir a sua formação e como foco estudar a história do negro nas artes cênicas e nos multimeios no Brasil, numa instituição em que esta discussão não existia.
No dia 13 de maio de 2005, dia da “abolição” da escravatura o grupo começou suas atividades com o objetivo de levar para a escola a discussão sobre, o que foi e o que representou para o país a assinatura da lei áurea. Na semana da consciência negra o núcleo promove o encontro "Pensando a Negritude", um evento para discutir como o negro foi inserido na história artística do país, e qual o papel que ocupa hoje na sociedade depois da imagem construída. O evento contou com uma mostra de curtas-metragens do cineasta Jéferson De (Narciso do rap, Carolina, e Distraída pra Morte), uma exposição permanente chamada "traços e relatos", e uma mesa redonda com atores, diretores, dramaturgos, professores e alunos. Estiveram presentes Eduardo Silva, Edson Montenegro, Lizete Negreiros, Eugenio Lima, José Fernando Peixoto, entre outros.
Em setembro de 2006 o grupo participou do II fórum Nacional de Performance Negra evento organizado pelo Bando de Teatro Olodum e Cia. dos Comuns e do Congresso de Pensadores negros em Salvador. Neste mesmo ano o grupo forma a Cia Filhos de Olorum, que mais tarde torna-se Os Crespos. Depois de discutir autores como Solano trindade, Marcelino Freire e visitar algumas peças do TEN(Teatro Experimental do Negro) decide montar um espetáculo inspirado na obra “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus.
Paralelo a isto “Os Crespos” recebe o convite de trabalhar com um dos maiores encenadores da atualidade, o alemão Frank Castorff, diretor do lendário Volksbühne (o Teatro do Povo, construído em 1914 por associações operárias e que continua a ser um dos espaços mais influentes do teatro europeu). Em dezembro de 2006 apresentam o espetáculo Anjo Negro + A Missão no Sesc Vila Mariana.
Em novembro de 2006 O Grupo promove em parceria com o “Cinema Popular” da escola de Áudio Visual / Eca um evento para discutir: a política de ações afirmativas Cotas nas Universidades Publicas; uma mesa de debates sobre a “Mulher Negra” na arte. Aconteceram a apresentação do balé folclórico Solano Trindade, workshop de danças africanas da Guine ministrado por uma das integrantes do grupo, Gal Quaresma e apresentação do grupo Ilu-Oba de mim junto com a cantora Leci Brandão.
Estiveram presentes: as atrizes Ruth de Souza, Raquel Trindade, a cineasta Lílian Solá Santiago, José Carlos Miranda (coordenador do Movimento negro Socialista), Ana Lucia Lopes (coordenadora do Museu Afro Brasil), Esmeralda Ribeiro poeta e escritora (fundadora do Quilombhoje), entre outros.
Em 2007 a cia. excursionou pela Alemanha, participou do Festival Theaterformer e uma curta temporada no Teatro Volksbühne em Berlim. Alem disso a cia. apresenta também no Volksbühne trechos do processo de criação do espetáculo Ensaio sobre Carolina.
No mesmo ano a cia. estréia “Ensaio sobre Carolina” com a direção de José Fernando de Azevedo (professor da Escola de Artes Dramáticas da USP, dramaturgo e diretor integrante do Teatro de Narradores em São Paulo) com apoio do PAC (Projeto de Ação Cultural-Secretaria de cultura do Estado de São Paulo).
Em 2008 o grupo, continua em cartaz com Ensaio sobre Carolina e apresenta Anjo Negro + A Missão em Salamanca no Festival Castilla y Lion. Em novembro deste mesmo ano realiza a exposição a construção da imagem e a imagem construída – um olhar sobre o negro no cinema, na TV e no teatro.
Em 2009 a Cia realiza juntamente com o Grupo Clariô uma mostra Reflexiva de Filmes em ocasião do dia Nacional de Denúncia contra o Racismo e em junho participa do III Fórum de Performance Negra em Salvador/Ba.
Ainda em 2009 o grupo, continua em cartaz com Ensaio sobre Carolina a partir do dia 15 de setembro ,no Teatro Imprensa,as 5°-feiras e 6°-feiras,até 06 de dezembro,e prepara um novo projeto chamado "A Construção da Imagem e a Imagem Construida, com a a Direção de Eugenio Lima(Bartolomeu).
blog: http://www.ciaoscrespos.blogspot.com/
FRANCISCO EGÍDIO (uma das mais belas vozes da nossa MPB)
Mas Egídio também fez sucesso com marchinhas de Carnaval como Me Dá Um Gelinho Aí e Simbora Nós Dois, até hoje executadas nos bailes.
O cantor foi, ainda, repórter esportivo, atuando na TV Record. A grande maioria de seus discos saiu pela gravadora Continental, hoje pertencente à Warner. Francisco Egídio participou do filme "Bruma Seca" – Direção: Mario Civelli/M. Brasini – Com: Luigi Picchi, Maria Dinah, Mario Brasini, Adoniran Barbosa, Ruth de Souza, – 1960. Francisco Egídio era presença constante do lendário programa "Festa Baile", da TV Cultura e “Buzina do Charinha”, na TV Globo.
Infelizmente nenhum está em catálogo. Morreu no último dia 17/07 em São Paulo aos 80 anos, de causas não reveladas.
* Texto de Toninho Spessoto
Fonte:http://blogacordes.blogspot.com/2007/10/morre-em-so-paulo-o-cantor-francisco.html
http://www.fanzineepisodiocultural.blogspot.com/
sábado, 23 de maio de 2009
A dor como inspiração (Marlon Marcos)
O mais importante entre os sambistas que nasceram e viveram na Bahia, Oscar da Penha, o nosso venerado Batatinha, fazia, como disse um dia Maria Bethânia, músicas tristíssimas para serem cantadas no carnaval. Esta procedente afirmação corrobora a ideia de que Batata tinha na tristeza e na dureza do seu dia-a-dia suas fontes maiores de inspiração.
Ele foi o grande poeta do povo negro e pobre da Bahia. Suas canções, quando não traduziam denúncias sociais diretas, desfiavam liricamente as incertezas do amor e o peso gigante impregnado nas existências que experienciam a escassez, além de reverenciar a música como elemento de salvação, de expurgação daquilo que não se podia por conta das limitações sócio-econômicas geradas pela pobreza; sem falar das dificuldades trazidas pelo forte racismo que assolava (e ainda assola) a nossa bela e gostosa Salvador.
“Ninguém sabe quem sou eu/ Também já nem sei quem sou/ Eu sei bem o sofrimento/ De mim até se cansou/ Na imitação da vida/ Ninguém vai me superar”, eis os tocantes versos de Imitação da Vida, como emblemas da alma sofrida de Batatinha, tão importante para o Brasil quanto Cartola, Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, Ismael Silva; ao mesmo tempo, é o mais injustiçado de todos, correndo sérios riscos de ter sua memória apagada pelo tempo e de ser esquecido como foi quase esquecido o nosso Gordurinha.
A beleza existencial de Batata, que além de uma obra significativa, deixou uma família grande de músicos, pode ser verificada no documentário Batatinha – O Poeta do Samba, feito por Marcelo Rabelo, lançado neste ano de 2009, e lotado de cenas comoventes e eloquentes ao expressar uma narrativa que nos instiga a pensar que a Bahia tem uma dívida sócio-cultural alta a pagar à memória deste engenhoso poeta baiano.
Talvez alguns dos mais importantes cantores e compositores vivos do Brasil tenham emprestado suas vozes à obra de Batata, no primoroso disco Diplomacia, lançado em 1998, com relevante produção de Jota Velloso e Paquito. Nele, o disco, estão Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jussara Silveira eternizando Ironia, obra-prima de Batatinha e Ederaldo Gentil – Jussara naquela categoria única expressando-se como uma das melhores cantoras brasileiras na atualidade.
E ela, Maria Bethânia, concisa em Bolero, mas magistral, assinando vocalmente a sua grandeza de artista inesquecível na ambiência cultural deste País; ela que era a cantora favorita de Batatinha e que o lançou para o Brasil em seu primeiro LP, com data de 1965; ela que deu a um dos seus CDs mais importantes o título Imitação da Vida (1997) a partir da grande canção deste compositor aqui em questão.
Precisamos preservar a memória de Batatinha, cuidar da sua obra, mobilizar festivais em Salvador, ensinar seu nome em nossas escolas, criar uma FUNDAÇÃO. Precisamos, de algum modo, restituir aos seus este débito que temos por nossa negligência em relação a este grande talento que se inscreveu na história musical da terrinha. E quando falamos de Batatinha, recuperamos Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Riachão… E deixamos alegres outros mestres como Nelson Rufino.
* Marlon Marcos é jornalista e antropólogo
(O vídeo abaixo, incorporado do YouTube, começa com Maria Bethânia cantando Onde estará o meu amor?, de Chico César, do show Âmbar, de 1996. Mais ou menos na metade do vídeo, Batatinha aparece contando como surgiu o seu apelido e em seguida Bethânia canta Bolero, música dele)Tags: Batatinha, Jussara Silveira, Maria Bethânia
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http://jeitobaiano.wordpress.com/
terça-feira, 7 de abril de 2009
94 anos : Billie Holiday
segunda-feira, 9 de março de 2009
Alaíde Costa canta Milton - Amor Amigo
Alaíde Costa
sábado, 7 de março de 2009
Exposição "Sete Áfricas" - BA
Onde? Galeria Solar Ferrão, Pelourinho
Tel: 71 3117-6380
Quando? ter a sex, 10h às 18h, sáb, dom e feriados, 13h às 17h
Fonte: http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/agendacultural/2009/03_marco/pdf/pdf_agenda_mes.pdf
Artistas comemoram Dia do Grafitti - BA
Local: UNEB, Campus Cabula
Tel.: 71 8811-8891
Quando? 27/03, 15h
Fonte: http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/agendacultural/2009/03_marco/pdf/pdf_agenda_mes.pdf
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Artistas Negras(os): Clemetina de Jesus
Clementina se mudou com a família para o bairro de Osvaldo Cruz na capital carioca e após a morte do pai teve de trabalhar como empregada doméstica. Trabalhou nesse ofício durante 20 anos, até ser descoberta pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho. Participou do musical "Rosa de ouro" com outros músicos como Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e Araci Cortes.
Em 1968, ao lado de Pixinguinha e João da Baiana lançou o disco Gente da Antiga. Gravou quatro discos solo e fez diversas participações, além de gravar corimás, jongos, cantos de trabalho, recuperando a memória afro-brasileira. Considerada rainha do partido alto, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?" e foi cantada por Clara Nunes com o "P.C.J, Partido Clementina de Jesus", em 1977, de autoria do compositor da Portela Candeia. Morreu em 1987, no Rio de Janeiro.
Artistas Negras(os) : Zezé Motta
Nascida em Campos, cidade do Norte Fluminense, Maria José Motta passou a residir no Rio de Janeiro, aos dois anos de idade, onde estudou em um colégio interno. Levada pelas mãos da mestra do teatro infantil, Maria Clara Machada, foi como bolsista fazer um curso de teatro, numa das mais famosas escolas do Rio de Janeiro, O TABLADO. O interesse pela arte de representar aflorou rapidamente em Zezé, e finalmente, em 1967, já estava profissionalizada. Para nossa sorte, alguns anos depois surgia uma das mais talentosas atrizes brasileiras, ZEZÉ MOTTA.
O SUCESSO FULGURANTE
Como atriz, ZEZÉ MOTTA teve carreira meteórica. Seu debut nos palcos aconteceu em 1967, no espetáculo RODA VIVA, com direção de José Celso Martinez Correa. Daí em diante não parou mais, participando de importantes peças, tais como: FÍGARO FÍGARO, ARENA CONTA ZUMBI, A VIDA ESCRACHADA DE JOANA MARTINE E BABY STOMPANATO, em 1969. Em 1972, participa de ORFEU NEGRO e, em 1974, do famoso GODSPELL, musical de grande sucesso na Broadway. Seu último grande sucesso no Teatro foi no musical ABRE ALAS, em 1999, sob direção da talentosa dupla Charles Moeller e Cláudio Botelho, ao lado de Rosamaria Murtinho.
O CINEMA EM SUA VIDA
Com passagens pelo cinema em A RAINHA DIABA, VAI TRABALHAR VAGABUNDO e a FORÇA DE XÂNGO, logo ZEZÉ faz teste para o filme que virá a ser o maior sucesso de sua carreira, XICA DA SILVA. Com direção de CACÁ DIEGUES, XICA DA SILVA faz sucesso no mundo inteiro, fazendo com que ZEZÉ MOTTA se torne conhecida mundialmente. Por sua magistral interpretação, recebeu todos os prêmios como atriz. A seguir vieram TUDO BEM, ÁGUIA NA CABEÇA, QUILOMBO, JUBIABÁ e ANJOS DA NOITE. Em 1989, ZEZÉ esteve nas telas em 6 filmes: SONHOS DE MENINA MOÇA, NATAL DA PORTELA, PRISIONEIRO DO RIO, EL MESTIÇO, DIAS MELHORES VIRÃO, TIETA e o TESTAMENTO DO SRº NAPOMUCENO. Seu último filme foi ORFEU, de CACÁ DIEGUES, em 1999.
A CULTURA NEGRA E O PRECONCEITO
Ao decidirmos fazer esta série de matérias sobre a cultura negra no Brasil, não pensávamos em enfocar a questão do preconceito racial; tínhamos a idéia de falar da cultura negra como já falamos e ainda falaremos de inúmeros outros povos que contribuíram para fazer do Brasil esse mosaico de raças.
Mesmo sem intenção de falar disto, a realidade se impôs e logo nas primeiras entrevistas percebemos que a cultura africana daqui é intrinsecamente ligada à escravidão e ao preconceito; estes elementos fazem parte da história do povo, assim como o colorido das roupas e da música, o sabor picante dos pratos e tantas outras coisas às quais nos acostumamos tanto que nem paramos para pensar de onde vêm. Portanto, não seria possível falar da cultura sem falar do preconceito.
Durante três séculos o trabalho escravo foi explorado no Brasil, até que a Lei Áurea foi assinada, abolindo a escravidão. Mesmo assim, o fim da escravatura foi uma idéia que demorou mais de um século para amadurecer e foi este um dos mais importantes períodos para a consolidação da cultura negra no Brasil. Nessa fase surgiram os clubes negros, os jornais que pregavam a liberdade, os partidos abolicionistas, os intelectuais, os políticos e os poetas.
Hoje, dono da maior população negra depois da Nigéria, com mais da metade dos habitantes negros, o Brasil conserva os costumes, as crenças, as maneiras e o modo de vida da raça negra, que acabaram originando a chamada cultura afro-brasileira. Na nossa dança, na religião, na música, na comida, no vestuário e na gíria, nota-se uma grande influência da cultura africana que hoje é mais do que nunca preservada, valorizada e praticada.
ENTREVISTA DE ZEZÉ MOTTA PARA A REVISTA RAÇA BRASIL
“Essa entrevista foi feita no período em que foi exibido na TV Globo a novela Porto dos Milagres”.
Você já sentiu algum tipo de discriminação por ser negra, mesmo depois de famosa? |
Antes de ser conhecida no meio artístico e reconhecida pelo público, passei muitas vezes por situações de preconceito. Agora não posso reclamar, sou mais respeitada. Mas vejo muitos atores novos desempregados e deprimidos por causa disto. Para quem ainda não se firmou, a situação é bem complicada. Superei o preconceito com muito trabalho, muito empenho e luta constante.
De uns tempo para cá, tem havido uma valorização do negro na mídia. Pela primeira vez começaram a surgir, por exemplo, revistas e produtos de beleza específicos para pessoas negras. Você acha que essa valorização reflete uma mudança real na sociedade? |
Acho que essa valorização tem mais a ver com a pressão de negros intelectuais. A Revista Raça, no ano em que foi lançada, vendeu mais do que qualquer outra. Acho que finalmente os empresários se deram conta de que os negros representam uma grande fatia do mercado, que eles consomem, que também compram. Acho que realmente está havendo uma preocupação em mudar isto, vejo na publicidade, na recém terminada novela das 6h, Estrela-guia, havia uma moça negra e seu namorado, também negro, ambos muito bem sucedidos. Acho que a pequena mudança que está acontecendo neste sentido é boa, porque acredito que se mudarmos isto nos meios de comunicação poderemos mudar a mentalidade das pessoas, já que a mídia é muito poderosa.
Quando questiono produtores e diretores sobre isto, eles me respondem que a TV e o cinema reproduzem a realidade do Brasil, que os negros, aqui, tem um poder aquisitivo menor, que são em geral de classes sociais mais baixas, trabalham como faxineiras, empregados domésticos, serviçais, enfim, que nem chegam às universidades. Me surpreende muito isto porque tem muito negro engenheiro, arquiteto, médico. Existe classe média negra, embora não seja a maioria, só que a mídia não mostra isso. Aí fico pensando que o Brasil vende tanta novela no exterior. Será que ninguém lá fora perguntou que Brasil é este, que só tem brancos? Mesmo minha novela (Porto dos Milagres), se passa na Bahia, onde a população é predominantemente negra, e somos só seis negros no elenco.
Temos, no CIDAN (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro), cadastrados hoje 380 atores negros, do RJ, SP e Bahia. E cadê esse pessoal? Você não vê por aí. Acho que para virar este jogo precisamos começar a produzir e dirigir nossas próprias peças, e não ficar esperando os brancos abrirem portas. Se fizermos bem feito, isto dá certo. Não estou falando de usarmos um elenco completamente negro, mas com maioria de atores negros. Não se trata de privilegiar estes atores, mas de criar oportunidades que atualmente não existem.
Acho também que estas conquistas podem ajudar outras classes menos favorecidas a andarem mais em direção à defesa de seus direitos.
Na sua opinião, como o Jorge Amado trata a figura negra em seus romances? |
Quando fiz Xica da Silva e Quilombo as pessoas (algumas do movimento negro) questionavam e até criticavam o Cacá que os filmes eram sobre negros, mas na visão dos brancos. Aí ele respondia que aquela era a visão dele do Quilombo dos Palmares ou da história da Xica da Silva. Quem tivesse outra visão poderia representá-la de outra forma. Acho que a questão do Jorge Amado é igual. Ele escreve sobre a Bahia que ele vê.
Como você sente a repercussão no público, da imagem de uma mãe de santo (a Mãe Ricardina, da novela Porto dos Milagres? Acha que ainda há algum tipo de preconceito contra o Candomblé? |
Gosto muito dela principalmente porque o público gosta muito dela. Nós, atores, precisamos do amor do público. As pessoas me falam que gostam dela, então eu estou fazendo com muito prazer, estou feliz e faço com prazer.
Eu não sabia nada sobre Candomblé, tinha medo até de passar na entrada de um terreiro. Quando saí pelo mundo para divulgar Xica da Silva, as pessoas me perguntavam sobre cultura negra e eu não sabia nada. Então fiz um curso com a antropóloga Lélia Gonzales e dele fazia parte assistir a um ritual de Candomblé. Já havia um suspeita de que eu era filha de Oxum. No dia em que fomos assistir ao ritual, era justamente uma festa para Oxum. Adorei, achei lindo e descobri que era mesmo filha dela. De lá para cá eu, sempre que vou à Bahia, vou ao terreiro de Mãe Estela, o Ilê, Axé Opó Afonjá . Todo final de ano faço um descarrego e de vez em quando jogo búzios. Toda vez que entro em cena, peço licença à Oxum para viver uma filha de Iemanjá e peço a Deus que meu trabalho resulte em algo bom. Durante muito tempo, e ainda acontece, as pessoas acharam que Candomblé e Umbanda eram religião de gente ignorante. Espero sinceramente que a Mãe Ricardina possa ajudar a quebrar esse preconceito.
Conheça o CIDAN – Centro de Informação e Documentação do Artista Negro
FONTE: http://www.culturanegra.com.br/Show Carnaval Hip Hop: EUA, Bahia, Ceará - BA
A banda Simples Rap’ortagem, uma das precursoras do Movimento Hip-Hop organizado na Bahia, protagoniza o maior show de rap na história do carnaval de Salvador. No dia 22 de fevereiro, as 19h na Praça Tereza Batista, Pelourinho, o público baiano e demais turistas e visitantes da cidade, além do show inédito da Simples Rap'ortagem que abrirá temporada de eventos em comemoração dos seus 15 anos, poderão desfrutar da discotecagem do DJ Afrika Bambaataa (Nova York – Estados Unidos) considerado um dos grandes precursores do Hip-Hop mundial e do show da maior revelação do rap nacional, o MC Rapadura (Ceará - Brasil).
Afrika Bambaataa é o pseudônimo de Kevin Donovan (Bronx, Nova York), DJ estado-unidense líder da Zulu Nation, maior organização hip-hop de todos os tempos, com representação em mais de 50 países. Bambaataa é reconhecido oficialmente como um dos fundadores do Hip-Hop. Usando sons, que iam desde James Brown (o mestre da Soul Music) até o som eletrônico da música “Trans-Europe Express” (da banda européia Kraftwerk), e misturando ao canto falado trazido pelo Dj jamaicano Kool Herc, Bambaataa criou a música “Planet Rock”, que hoje é um clássico. Bambaataa também foi um dos líderes do Movimento Libertem James Brown, criado quando o mestre da Soul Music estava preso e, anos depois, foi o primeiro ‘Hip-Hopper’ a trabalhar com James Brown, gravando “Peace, Love & Unity”. Bambaataa criou as bases para surgimento do Miami Bass, Freestyle (gênero musical), ritmos que influeciam Dj’s em todo mundo.
Francisco Igor Almeida do Santos, mais conhecido como RAPadura Xique Chico, nasceu em Lagoa Seca no Ceará, desenvolve um trabalho voltado para o universo do canto falado. Uma mistura arrojada de Rap com a tradição da cultura popular brasileira, que tem suas raízes matriciais com a Embolada e o Repente. O MC (Mestre de Cerimônias) também mistura seus versos com jazz, funk, soul, valsa, marchinha de carnaval, bossa nova, samba rock e outros ritmos urbanos. Suas letras são contundentes e exalam uma linguagem poética sem perder a identificação com o povo. A intimidade de RAPadura com a música é natural. Prova disto foi sua conquista em 2007 do Prêmio Hútuz (RJ) como melhor artista do Norte-Nordeste.
A Simples Rap’ortagem é um das precursoras do Movimento Hip-Hop organizado na Bahia, e completará 15 anos em 22 de abril de 2009. Integra a banda o único representante da organização Zulu Nation no estado. Incorporando elementos regionais da cultura afro-baiana e nordestina a Simples, como é conhecida, vem se destacando no gênero pelo profissionalismo e pela produção musical que valoriza a criatividade poética. A arte do asfalto dialoga com a arte do campo onde o canto falado revive a força da oralidade africana. Traz canções que ressaltam o respeito aos valores regionais nordestinos, o fortalecimento dos referenciais de negritude, a valorização de um hip-hop brasileiro e a necessidade de emancipação feminina. Ritmo com poder de sensibilização, aliado a um conteúdo forte, reflexivo, agraciado com a irreverência, eis a Simples Rap’ortagem.
O quê: SHOW CARNAVAL HIP-HOP: EUA, BAHIA e CEARÁ
Data: 22/02/09 – Domingo de Carnaval
Horário: das 19h às 23h
Local: Praça Tereza Batista - Pelourinho
Obs.: aberto ao público
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Brasil e Senegal se reúnem para planejar III FesmanBrasil e Senegal se reúnem para planejar III Festival Mundial de Artes Negras
Brasília - O III Festival Mundial de Artes Negras (Fesman) foi pauta de reunião entre os ministérios da Cultura de Brasil e Senegal em Brasília, no último dia 22 de janeiro. Marcado para o dia 1º de dezembro, o III Fesman será realizado em Dacar, no Senegal, até o dia 21 do mesmo mês. O Brasil será convidado de honra do evento, que contará com a participação de mais de 80 países.
Estavam presentes à reunião, o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Zulu Araújo e o ministro da Cultura interino, Roberto Nascimento, além do ministro da Cultura senegalês, Mame Birame Diouf. O ministro Juca Ferreira e Zulu Araújo coordenam a comitiva brasileira do III Fesman.
Na reunião, as delegações definiram o dia 25 de maio como a data de lançamento oficial do evento no Brasil. O lançamento contará com as presenças dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Senegal, Abdulaye Wade. Além disso, foi definida a data da reunião do Comitê Internacional, nos dias 1º, 2 e 3 de março, com a presença do ministro Juca Ferreira e do presidente da FCP, Zulu Araújo.
O ministro senegalês ressaltou que a reunião foi muito importante por ter sido realizada em um país escolhido para ser homenageado e com um papel relevante no Festival. "O Brasil tem uma liderança muito grande na América Latina e na Comunidade Negra, por isso esse encontro de hoje é primordial. O povo senegalês espera ansiosamente pelos brasileiros", disse.
O presidente da Fundação Palmares declarou que o MinC está cumprindo rigorosamente o cronograma já acordado em outras reuniões. Segundo Zulu Araújo, já foram criados os Comitês MinC e Comitê Nacional para o Fesman, além da primeira disponibilidade financeira, da ordem de R$ 3 milhões. Zulu Araújo relatou ainda a previsão de dois grandes eventos pré-Fesman: o 1° Fórum Nacional de Performance Negra para a Dança e Teatro, a ser realizado em Salvador, com previsão para maio, e o 2° Encontro sobre Renascimento Africano, previsto para acontecer no Rio de Janeiro, em junho.
O Festival Mundial das Artes Negras é a maior reunião das artes e da cultura negra do mundo. Foi idealizado pelo ex-presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, na década de 1960, com o tema "Significação da Arte Negra pelo Povo e para o Povo". O segundo foi realizado na Nigéria, em 1977, com o tema "Civilização Negra e Educação". Este ano, vai homenagear o Brasil, com o tema o "Renascimento Africano". A homenagem se deve principalmente ao fato de o Brasil abrigar a segunda maior população negra mundial depois da Nigéria. Mais de 80 países vão participar do III Fesman. Quatro redes de satélites vão percorrer o mundo inteiro mostrando toda a programação, que será transmitida em cinco idiomas: inglês, francês, espanhol, português e árabe
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
apresentam
O SUBTERRÂNEO JOGO DO ESPÍRITO
Concepção, dramaturgia e interpretação: Rodrigo dos Santos
Monólogo em processo de criação livremente inspirado na música/vida do nigeriano Fela Kuti (1938 - 1997).Músico, profeta, político, pensador, multi-instrumentista, dançarino, compositor e revolucionário,Fela foi o inventor do movimento cultural e musical “Afrobeat”,combateu os abusos da ditadura militar e do governo civil na Nigéria,utilizando como arma sua música - uma combinação de ritmos afro-americanos,como o soul, o funk, o jazz, com elementos musicais tradicionais.
Café do Teatro Gláucio Gill
Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana
(21) 2332 - 7902 e 2332 - 7904
Cia dos Comuns: (21) 2242 - 0606
5 a 14 de fevereiro - quinta a sábado - 19:30 h
ingressos: inteira 6,00 / meia 3,00
classificação etária: 14 anos
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Aimé Césaire: poeta negro
"(...) Minha negritude não é uma pedra
E sua surdez arremessada contra o clamor do dia
Minha negritude não é uma gota d`água morta
Ela mergulha na carne ardente do céu
Minha negritude perfura a aflição de seu sossego correto."
O mundo perdeu, em 17 de abril de 2008, um dos maiores ícones da literatura caribenha e da luta contra o racismo, o poeta martinicano Aimé Césaire. Aos 94 anos, Aimé morreu devido a problemas cardíacos em um hospital de Fort de France, na Martinica, onde estava internado há uma semana.
Por Marília Matias de Oliveira, Especial para o Portal Palmares (www.palmares.gov.br)
Alzira Rufino (1949 - atual)
Seguidora das tradições do candomblé, oriunda de uma família humilde e graduada em enfermagem, feminista, destaca-se como importante ativista política do Movimento Negro e no Movimento de Mulheres Negras, sendo ainda a primeira escritora negra a ter seu depoimento registrado pelo Museu de Literatura Mário de Andrade, de São Paulo.
Sua participação pioneira na impressa da região de Santos (SP) onde nasceu, divulgando a situação das mulheres negras e da violência contra a mulher, em muito contribuiu para o debate público, denúncias e o envolvimento da mídia nessas questões. Além dos artigos que escreve para revistas e jornais em todo o país e no exterior, ganhou diversos prêmios pela publicação de poesia, ficção e ensaios. Desde 1991, edita a Revista Eparrei, de circulação semestral, voltada para a cultura negra.
A organização, em 1985, da Primeira Semana da Mulher da região da Baixada Santista; a fundação do Coletivo de Mulheres Negras da Baixada Santista, em 1986, um dos mais antigos grupos do Brasil; a criação, em 1987, do Coral Infantil Omó Oyá e do Grupo de Dança Afro Ajaína; bem como a fundação da Casa de Cultura da Mulher Negra- CCMN, em 1990, são exemplos marcantes da incansável atuação de Alzira.
O reconhecimento a seu trabalho lhe rendeu várias homenagens, dentre elas: Mulher do Ano, concedido em 1991, no Rio de Janeiro, pelo Conselho Nacional da Mulher Brasileira; em 1992, como primeira mulher negra - tornou-se Cidadã Emérita, homenageada pelas Câmara Municipal de Santos e Câmara Municipal de Cubatão(SP); Mulher Destaque em 2000, pela Câmara Municipal de Santos e, em 2004, Mulher Destaque- Área Direitos Humanos/Status, pelo Clube Soroptimista Internacional de Santos. Alzira e a Casa de Cultura da Mulher Negra receberam ainda, o Prêmio Zumbi dos Palmares, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Por sua experiência e atuação coordenou, entre 1995 e 1998, a Rede Feminista Latino-Americana e do Caribe contra a Violência Doméstica, Sexual e Racial, na sub-região Brasil. Em 2008, simultaneamente às palestras que ministra por todo o país e exterior é Presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra e responde por um serviço de apoio jurídico e psicológico, voltado para vítimas de violência doméstica, sexual e de racismo. Conferencista da Conferência Internacional sobre Violência, Abuso e Cidadania da Mulher, ocorrida na Grã-Bretanha, em novembro/96, está a frente, desde 1995, da campanha Violência contra a Mulher, uma questão de Saúde Pública.
Uma das responsáveis pela criação da Casa-Abrigo de Santos (SP) e leis contra a violência e racismo, sua atuação acabou por influenciar a instalação, em diversos municípios brasileiros, de serviços voltados para mulheres, com foco no aspecto da cultura, atendimento jurídico, psicológico e geração de trabalho e renda.
Inaicyra Falcão dos Santos
" Da porteira pra dentro, da porteira pra fora", com essa metáfora da territorialidade da tradição nagô, Mãe Senhora, Osun Miuwá, lyalorisá nilê Asé Opó Afonjá, caracterizava as iniciativas de estabelecimento de relações da comunidade religiosa com a sociedade envolvente, de valores distintos, na dinâmica da pluralidade sociocultural brasileira.
Mãe Senhora dinamizou a diplomacia com a sociedade envolvente, atraindo inúmeros artistas, intelectuais de projeção política, que vieram a reforçar a legitimação da comunidade num contexto histórico marcado pela adversidade e pela luta de afirmação de sua identidade civilizatória própria.
Nesse contexto que fora iniciado por Mãe Aninha e Martiniano do Bonfim, quando aceitaram participar do Congresso Afro-Brasileiro, organizado na Bahia por Edison Carneiro, é que também se dá a formação de Deoscoredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, filho de Mãe Senhora.
Ele ampliará de maneira exuberante essa trajetória política de qualificação dos valores sagrados, também em seus desdobramentos criativos na sociedade "oficial", seja através de seus livros, seja sobretudo através da criação de sua obra escultórica de projeção internacional.
Inaicyra Falcão dos Santos, filha de Mestre Didi, participa deste contexto, e sua trajetória revela o legado dessa atuação "da porteira pra dentro, da porteira pra fora", como neta de Mãe Senhora.
Primeiramente no mundo da dança, toma conhecimento, através de inúmeras viagens ao exterior, de repertório infinito de gestos que desde a tradição religiosa se desdobra pelas ruas e palcos onde emerge o talento criativo alimentado pelo contínuo civilizatório negro-africano.
Ela mesma torna-se dançarina e pesquisadora deste universo, realizando estudos e concluindo cursos de pós-graduação na Universidade de Ibadan, na Nigéria, e participando das experiências de vanguarda de recriação da linguagem da dança no contexto afro-brasileiro, especialmente nas montagens dos autos coreográficos do Grupo Arte e Espaço da SECNEB, onde destacamos AJAKÁ, Iniciação para a Liberdade.
Posteriormente, já de volta definitivamente ao Brasil, exercendo a docência na Universidade de Campinas, descobre seu talento de cantora lírica, trabalhando na recriação da música sacra negra.
É toda essa dimensão de experiência estética que Inaicyra levará para o terreno da Educação, procurando revolucionar a pedagogia, referindo-se à emoção artística como fonte de mobilização para a aprendizagem, transmissão de conhecimento e saber.
Texto de Marco Aurélio Luz
CD Okan Awa - Cânticos da Tradição Yorubá
2002, Atração Fonográfica - www.atracao.com.br, Tel. (11) 3311.0567
Ouça trechos em MP3:
Para reproduzir os trechos abaixo, você precisará de um software que os interprete.
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ALABE (231KB) - AYABA OSOGBO (588KB) - SESE KURUDU (362KB)
Fonte: http://www.inaicyra.hpg.com.br/trajetoria.htm