Seguidores

Pesquisa personalizada

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Futuro e ancestralidade nas obras de Jorge dos Anjos - DF

O Espaço Cultural Marcantonio Vilaça traz para Brasília cinco obras do artista, que promove o encontro da 'arquitetura moderna brasileira' com o neoconcretismo
 
Esculturas de aço em três dimensões do artista Jorge Luiz dos Anjos chegam ao Espaço Cultural Marcantonio Vilaça para a exposição Geometria de Risco com curadoria de Roberto Conduru. As cinco obras são um convite para conhecer a produção desse importante artista mineiro, que dá continuidade a uma trajetória de união de princípios plásticos do construtivismo à visualidade afro-brasileira. As esculturas ficam expostas no jardim do Tribunal de Contas da União do dia 23 de agosto ao dia 13 de outubro.
Jorge dos Anjos tem diversas esculturas instaladas em locais públicos ou praças de várias cidades brasileiras, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Fortaleza, assim como em museus e instituições privadas. E, embora ele já tenha realizado exposições em Brasília, ainda não apresentou obras nessas dimensões na capital do país. Sendo assim, a exposição no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça será a primeira grande mostra do artista na cidade. 
 
Geometria de Risco- Jorge dos Anjos
Abertura22 de agosto de 2013, (quinta-feira), às 19h
Hall de entrada do Anexo I do Tribunal de Contas da União
VisitaçãoDe 23 de agosto a 13 de outubro de 2013
Todos os dias, das 8h às 20h
(Acesso aos banheiros e bebedouros somente de segunda a sexta-feira)
LocalJardim da área externa do Tribunal de Contas da União - Brasília - DF
(Estacionamento gratuito em frente ao edifício-sede do TCU)
 
Visitas orientadas podem ser agendadas pelo telefone (61) 3316-5221

JORGE DOS ANJOS (por Marcolino de Oliveira Gomes Neto - NEAB-UFPR)
Jorge dos Anjos é um mineiro de Ouro Preto. Buscou, a partir desse lugar, lançar um olhar sobre a expressão da religiosidade de matriz africana, pautado pela vivência plena nesse espaço possibilitado por sua origem.
Neste território de encontro com a ancestralidade ele se apropria dos recursos expressivos que o induzem na elaboração de uma arte que leva a afirmar a identidade brasileira, bem como reverencia esta manifestação da espiritualidade. Assim, a expressão da arte africana, a celebração, a energia espiritual da ancestralidade alicerçam o raciocínio e a intuição poética do artista que advém de uma “linhagem familiar direta – uma ordem étnico cultural, em que a pulsão religiosa se expande em movimentos criativos” (Sampaio, 2010, p.10).
Desta forma a estrutura construtiva de sua arte leva o espectador a dialogar com a ancestralidade bem como, formas, texturas e cores levam este sujeito a uma experiência prazerosa incomum.
Este aspecto singular da arte de Jorge dos Anjos no contexto brasileiro confere um sentido atual ao sentir ancestral.
            Dono de uma identidade artística que busca dar visibilidade aos signos africanos, através de relevos, esculturas, recortes, gravuras, desenhos e pinturas, as obras de Jorge dos Anjos “remetem evidentemente a uma cena de teatro ritualístico, a um cenário imaginário ligado às vivências do artista, quer pela via concreta da realidade objetiva, quer por sua capacidade de auscultar e traduzir impulsos da memória ancestral” (Sampaio, 2010, p 25).
            Assim, através da noção de geometria sensível, onde pode perpassar a estrutura, tirar os limites da forma, Jorge dos Anjos encharca- se de “imaginação,  e mesmo de certo grau de fantasia, afrontando os fundamentos da noção histórica do construtivismo”(Op. Cit.).
 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Artistas e criadores culturais negros se reúnem com a ministra Marta Suplicy no Rio de Janeiro

Pela efetivação de políticas públicas para a cultura negra, lideranças do movimento negro, artistas e agentes culturais negros se reunirão, dia 09 de julho, às 16 horas, com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, no Auditório do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), no Rio de Janeiro (RJ). Este evento é parte das mobilizações feitas no país inteiro em resposta à liminar que suspendeu os editais do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), destinados para produtores, criadores e pesquisadores negros.
 
O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Hilton Cobra, participou de todas as reuniões e, mais uma vez, foi convidado a participar, o que reflete a compreensão da classe artística negra do papel da FCP na defesa dos interesses voltados para a cultura negra. Para Cobra, “a decisão de liberar o processo seletivo e manter os pagamentos suspensos não atende as reivindicações que escutei em todas as mobilizações pelo país”, disse.
 
FCP buscando soluções – Desde a suspensão dos editais, a Fundação Cultural Palmares participa de reuniões com
produtores culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, a fim de encontrar formas de manter os processos de seleção. Mais três cidades, Belém/PA, Porto Alegre/RS e Aracajú/SE, se articulam para os debates com a presença de Hilton Cobra.
 
Acompanhe o caso – A decisão de suspender os editais foi proferida pelo juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, em maio desse ano. O processo foi movido como ação popular pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho, citando como réus a União Federal, a Funarte e a Fundação Biblioteca Nacional. No último dia 7 de junho, a Justiça Federal decidiu pela continuidade dos procedimentos relacionados aos Editais do MinC/SEPPIR. O documento garantiu que as atividades de seleção fossem retomadas. Entretanto, o pagamento dos prêmios continua suspenso até o julgamento final do processo.
 
Serviço
Data: 09 de julho de 2013
Horário: 16 horas
Local: CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
Mais informações: Movimento Akoben – Filipe Juliano (21) 9896.8213

domingo, 9 de junho de 2013

Sarau Bem Black recebe o escritor paulista Cuti - BA



Autor lança no evento, na próxima quarta (12/06), o livro Kizomba de Vento e Nuvem


Realizado semanalmente no Sankofa African Bar, no Pelourinho, o Sarau Bem Black tem se firmado como um ponto de encontro de autores de todo o país - sobretudo os que fazem uma literatura divergente, periférica, alternativa. Na edição da próxima quarta (12/06), o evento tem o prazer de receber o escritor paulista Cuti, 61 anos, um dos autores mais importantes da literatura negra brasileira, que lança no evento o livro de poemas Kizomba de Vento e Nuvem (Maza Edições). O Sarau, que começa às 19h30, tem entrada gratuita.

Cuti estreou na literatura em 1978, com o livro Poemas de Carapinha. De lá para cá, publicou também contos, ensaios e peças de teatro. Kizomba de Vento e Nuvem reúne 106 poemas divididos em três partes: Preto no Branco; Afetos e Desafetos e Matutando. Seguindo a organização do livro Negroesia (2007) - último livro de poesia de Cuti - , Kizomba navega pelas águas da identidade, das paixões e da reflexão sobre vários aspectos da sociedade brasileira.

A programação do Sarau será aberta com bate-papo com Cuti, que fala sobre o novo livro e sobre sua trajetória literária. Ele também apresenta seu novo site, que traz novos textos e conteúdos de áudio e vídeo. Depois, o evento segue com sua programação habital, alternando poetas residentes e da plateia. O Sarau é apresentado por Nelson Maca e Mil Santos e conta com a participação das poetas juvenis Lucinha Black Power e Luiza Gata. A trilha sonora, sempre com artistas da black music nacional e internacional, fica a cargo do DJ Joe 

A agenda de Cuti em Salvador inclui o minicurso Perspectivas do Conto Negro-Brasileiro (dias 13 e 14) e uma nova sessão de autógrafos de Kizomba de Vento e Nuvem sábado, dia 15, às 17h, no CEPAIA-UNEB, Largo do Carmo, organizado pelo Clube de leitores/as Negros/as Quiomboletras Bahia. Cuti é pseudônimo de Luiz Silva. Formado em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980, é mestre em Teoria da Literatura e doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999/2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993.

Informações: blackitude@gmail.com

1
O que: Sarau Bem Black
Lançamento: Kizomba de Vento e Nuvem, de Cuti (R$30)
Quando: quarta-feira (12/06), às 19h30
Onde: Sankofa African Bar, Pelourinho
Entrada Gratuita

2
O que: Clube de leitores/as Negros/as Quiomboletras Bahia 
Lançamento: Kizomba de Vento e Nuvem, de Cuti (R$30)
Quando: sábado (15/06), às 17h
Onde: CPAIA – Santo Antônio
Entrada Gratuita

Livros que estarão disponíveis:
:: Dois nós na noite (peças de teatro): R$20,00
:: Literatura negro-brasileira: R$24,00
:: Lima Barreto: R$24,00

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Espetáculo gratuito "Na Trilha Circense – Estórias Africanas", no TCA - BA

Enfim chegamos. Oxalá nos ajude que esse lugar seja um bom lugar para nossas histórias!. Com esta frase o Griots começa o espetáculo Na Trilha Circense – Estórias Africanas, da trupe Nação Circense, na Sala do Coro do Tetro Castro Alves, 21 de junho (sexta), às 20h, gratuito e aberto ao público. O Griots, mestre da cultura oral e narrador do espetáculo, apresenta durante a próxima hora uma história cheia de aventuras, com um rico conteúdo cultural.
Estórias Africanas traz uma trilha musical que aborda o preconceito e apresenta personagens da mitologia africana, animais e seres divertidos e inusitados. Além de promover lazer e entretenimento, as apresentações têm como objetivo, difundir a importância do cumprimento da Lei no. 10.639/03 – que prevê o ensino da cultura africana nas escolas públicas, a cultura Griots, e democratizar o acesso ao circo. O espetáculo é direcionado para crianças de 6 a 80 anos.
Por: Sidney Rocharte

Nação Circense – Estórias Africanas
Onde: Sala do Coro do Tetro Castro Alves
Quando: Dia 21 de junho, às 20h
Quanto: Entrada gratuita

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Novo edital do IPHAN apoiará projetos voltados à cultura afrodescendente

O Projeto de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial deverá ser relacionado à música, canto e dança de comunidades afrodescendentes localizadas no Brasil

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lança edital para seleção de projetos com a finalidade de apoiar manifestações e práticas culturais relativas ao patrimônio imaterial de populações afrodescendentes. As atividades dos projetos deverão envolver ações de mapeamento, pesquisa, produção bibliográfica e audiovisual; ações educativas, formação, capacitação e transmissão de saberes; apoio à organização e à mobilização comunitária, à promoção da utilização sustentável dos recursos naturais, entre outras que se relacionem ao universo da música, canto e dança e contribuam para a continuidade da existência de bens culturais imateriais e/ou para a gestão participativa e autônoma da preservação de práticas tradicionais referenciais de comunidades afrodescendentes no território brasileiro.
A realização do Projeto de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial relacionado à música, canto e dança de comunidades afrodescendentes localizadas no território brasileiro integra a participação do Estado brasileiro no âmbito do projeto Salvaguarda do patrimônio cultural imaterial relacionado à música, canto e dança de comunidades afrodescendentes na América Latina, proposto pelo Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da América Latina (CRESPIAL), Centro de referência 2 da UNESCO, do qual participam 13 países da América Latina e Caribe, comprometidos com a execução de experiências‐piloto de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial afrodescendente em suas abrangências nacionais.
O tema selecionado - Música, canto e dança de comunidades afrodescendentes - delimita o universo de bens culturais que poderão ser objeto do projeto, mas não estabelece a quantidade máxima de bens e nem a obrigatoriedade de atendimento das três expressões citadas. No entanto, é necessário que o projeto envolva ações que articulem elementos da música, do canto e da dança ou de um desses aspectos de forma específica. Outra recomendação para esse edital é que projeto se desenvolva em comunidades de pequeno ou médio porte, localizadas em território específico, para garantir que a execução, acompanhamento e monitoramento do projeto sejam compatíveis com a sua natureza. Para outros esclarecimentos, os interessados podem procurar o Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI/IPHAN) enviando e-mail para 
Desirée Tozi (desiree.tozi@iphan.gov.br) ou para Paulo Peters (paulo.peters@iphan.gov.br).

Anexos:


Mais informações para imprensa: 
Assessoria de Comunicação IPHAN
comunicacao@iphan.gov.br
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-5526 / 2024-5527
www.iphan.gov.br www.facebook.com/IphanGovBr | www.twitter.com/IphanGovBr
www.youtube.com/IphanGovBr
 

"No outro lado do mar": ensaios preparatórios para a apresentação em Angola



A CIA DE TEATRO GENTE APRESENTA:
ESPETÁCULO
NO OUTRO LADO DO MAR...
DIREÇÃO - SUELMA COSTA

Cia de Teatro Gente representa Salvador,Bahia, Brasil no Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda, em Angola.
O Festival irá acontecer de 16 a 30 de maio de 2013.
O maior festival internacional de teatro de Angola regressa e mantém a aposta na lusofonia: Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal estarão representados.


ENSAIOS PARA A ÁFRICA:

Sábados, dia 04 e 11 de maio, às 19:00 horas, na O.I.M - Oficina de Investigação Musical, do Mestre Bira Reis. Ensaio aberto do espetáculo No Outro Lado Do Mar...

Os ensaios é a preparação para viagem à Angola, onde a Cia de Teatro Gente irá representar o Brasil no Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda, de 16 a 31 de maio de 2013.

O que? Ensaio aberto espetáculo No Outro Lado Do Mar...
Quando? Dias 04 e 11 de maio de 2013
Onde? O.I.M - Oficina de Investigação Musical - Mestre Bira Reis - Rua Portas do Carmo, 24 – Pelourinho (ao lado da Fundação Casa de Jorge Amado – Largo do Pelourinho).
Valor - Pague quanto quiser e contribua com a produção do espetáculo!
Patrocínio - Cia de Teatro Gente e O.I.M.
Apoios - Vocês.

http://www.youtube.com/watch?v=bchDmJ8ejeg&feature=youtu.be


-- O espetáculo
No outro lado do mar... 

“No domínio da expressão humana, o que é supérfluo cai, desde o momento em que se encontra diante do silêncio questionador. É com efeito no silêncio, que não recusa os benefícios da reformulação, que a escuta sensível permite ao sujeito ao sujeito desembaraçar-se de seus ‘entulhos’ interiores.”
René Barbier

Um espetáculo que tem como base elementos da pesquisa-ação (escuta sensível, multireferencialidade, implicação e vazio) e como plástica elementos da dança-teatro ( equilíbrio/desequilíbrio, distribuição de peso), ese define como uma vivência cênica pós-dramática.
Dois atores,negros, um homem e uma mulher, em meio a um deserto branco, árido e cristalizado. Um chão constituído de sal grosso, com algumas protuberâncias, representando o outro lado do mar dos personagens. Um lugar sem referências, sem conforto, sem limites. A luz, que varia, na maior parte do tempo, entre cores frias, traz o azul e o verdeazul das profundidades do mar. E, em um único momento, surge um âmbar, que se aproxima do amarelo, para aquecer as tão desconfortáveis almas.
“No outro lado do mar...” tem um perfil filosófico e poético, cria imagens sonoras e visuais que se desmancham no nada. Convida-nos a experienciar questões ligadas a acontecimentos históricos da humanidade e acontecimentos atemporais de nossas próprias vidas. O tema morte, nos leva e nos traz como as ondas do mar. Vemo-nos em pleno tsunami do Japão ou da Indonésia, nos sentimos na pele dos escravos negros levados de África para o Brasil nos séculos passados. Percebemo-nos refletindo a nossa própria existência, nos transportamos para cada pós-guerra em seus grandes cemitérios onde se vê mortos e vivos enterrados. E saímos dele (do espetáculo) mais conscientes de nossa humanidade.

Texto: José Mena Abrantes
Atores: Ana GanzuáEverton Machado
Direção: Suelma Costa
Ass. de direção: Aldren Lincoln
Direção musical: Bira Reis 
Músico: Marcos Antonio Costa (Marquinho Black), Victor Kizza.


Sinopse
 “No outro lado do mar...” Lugar no qual a existência se revela para um ser humano e o desloca para o centro do movimento. Nele, passado presente e futuro se encontram. O masculino e o feminino se olham, se contestam, se questionam num jogo de equilíbrio/desequilíbrio, silêncio/revelação; numa busca por novos olhares que substituam conceitos e atitudes inadequadas ao novo começo.
Este lugar pertence ao mundo da vida ou ao mundo da morte? É uma dúvida que permanece.

O autor
Um olhar sobre José Mena Abrantes...

Encenador, poeta, teórico do Teatro Angolano, dramaturgo... Mena Abrantes cria com as suas palavras imagens arquetípicas que compõem estruturas mitológicas atemporais, e traduzem sentimentos e experiências humanas profundas. Sua dramaturgia abre espaço à livre criação quando trata de questões relacionadas ao ser – no si mesmo e no mundo.
É um autor heterogêneo com mais de vinte obras publicadas. E com um estilo que se atualiza a cada fase da sua escrita.
A diretora
Suelma Costa é diretora teatral formada pela Universidade Federal da Bahia-Brasil. Desde 2008, pesquisa cenicamente a dramaturgia de José Mena Abrantes. Trabalho com a Cia de Teatro Gente, e com este grupo montou “Amêsa” e“No outro  lado do mar...”. Depois, no interior da Bahia, integrou o Grupo OPECADO, e neste, realizou seus primeiros experimentos como atriz em “A Órfã do Rei”. Atualmente está a criar uma unidade de pesquisa e formação para atores (“NaheBitiBo’ot”) na qual desenvolve “Observatórios etnoculturais”.

A Cia

A Cia de Teatro Gente há doze anos vive o ofício de um teatro de investigação, agitando sombras nas quais a vida nunca deixou de fremir.
Acreditamos em um teatro que não está em anda, mas que se serve de todas as linguagens – música, dança, circo, artes visuais, gestos, sons, palavras, fogo, água, tecnologia, artesanato, magia, mistérios, impactos – Uma Cia que se encontra exatamente no ponto em que o espírito de um teatro/linguagem/estética conduz a produzir suas manifestações.
O perfil do ator da Cia de Teatro Gente é de um artista investigador, que lança mão das convenções do teatro psicológico, moral e social e mergulha no perigo, em uma poesia muito difícil e complexa reveste-se de múltiplos aspectos: em primeiro lugar, os de todos os meios de expressão/linguagens utilizáveis em cena, como música, dança, artes visuais, pantomima, mímica, gesticulação, entonação, arquitetura, iluminação e cenário.
Na medida em que se tornam capazes de aproveitar as possibilidades físicas imediatas que a cena lhe oferece, para substituir as formas imobilizadas da arte para formas vivas e ameaçadoras, através das quais o sentido da magia cerimonial pode encontrar, no plano do teatro uma nova realidade na medida em que se deem àquilo que poderia chamar de tentação física da cena.
Nas experimentações cênicas da Cia: "Barrela", "Uma Mulher Vestida de Sol", "Amêsa", "Outra Vez", "O Dia de Sara", "Fragmentes", "Devir – Espíritos Livres (pesquisa), "No outro lado do mar..." e "Lucas Dantas - Um Herói de Búzios", nas oficinas, nos colóquios e fóruns, e no FESTG - Festival de Teatro Gente, o desejo dos integrantes da Cia é promover invenções de formas, deslocamento de significações e impressões. Tudo o que há no amor, no ciúme, na guerra ou na loucura nos deve ser devolvido pelo teatro. Pois não é possível continuar a prostituir a ideia de teatro, que só é valido se tiver uma ligação mágica, atroz, com a realidade e o perigo.

 Prêmios:
• Prêmio Braskem 2006 na categoria Melhor Ator Coadjuvante para Everton Machado;
• "Indicação" Prêmio Braskem 2006 na categoria Melhor Espetáculo
• Festival Ipitanga de teatro nas categorias Melhor Ator Coadjuvante para Everton Machado e
Revelação para Tânia Toko, pela preparação corporal.
• Festival Ipitanga de Teatro 2009 – Espetáculo AMÊSA – Prêmios de Melhor Atriz para Heloisa Jorge, Texto para José Mena Abrantes e Iluminação para Everton Machado.

Eventos:
• Apresentação única do espetáculo BARRELA na Sala Principal do TCA – Projeto Domingo no TCA
• Recepção à ARIANO SUASSUNA no OTHON PALACE HOTEL  - FACULDADE DOM PEDRO
• 09 Apresentações em Angola – Luanda – Espetáculo AMÊSA. Convidado pelo Autor José Mena Abrantes.

Festivais:
• Festival de Teatro de Curitiba – BARRELA – 2007 / AMÊSA e FRAGMENETES - 2009
• Festival Ipitanga de Teatro – BARRELA – 2007/ AMÊSA e FRAGMENETES – 2009
• Festival Cena Baiana Ceará e Maranhão 2009 – Espetáculo AMÊSA

EDITAIS:
• MINC – Edital de Intercâmbio – 2007 e 2009 – Passagens Festival de Curitiba
        • Edital Quintas do Teatro – Apresentação única de BARRELA
       • Calendário de Apoio FUNCEB – Cia de Teatro Gente no Festival de Curitiba 2009
       • Edital de Circulação de Teatro – FUNCEB – BARRELA
      • Edital Tô no Pelô – FUNCEB – 04 apresentações de BARRELA no Pelourinho
  
Ficha técnica

Direção e adaptação  de Suelma Costa 
Ass. de direção de Aldren Lincoln
Texto de José Mena Abrantes
Interpretação de Ana Ganzuá e Everton Machado
Direção Musical - Bira Reis
Músico - Marquinhos Black e Victor Kizza
Iluminação - Aldren Lincoln e Everton Machado
Cenário de Ana Ganzuá e Suelma Costa
Operação de Luz e Fotografia - Aldren Lincoln
Produção - Cia de Teatro Gente
Realização - EAG - Escola de Arte Gente/Cia de Teatro Gente

quarta-feira, 10 de abril de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

Sarau Bem Black com Marcelino Freire e Cantos Negreiros - BA

1- SARAU BEM BLACK
Uma noite de Conto e Poesia

Leituras de contos com Marcelino Freire (PE-SP), Chicco Assis (BA), Danielle Anatólio (BH-BA), Josiane Acosta (POA-BA), Vera Lopes (POA-BA), Zezé Olukemi (BA)

:: Lucinha Black Power e Luíza Gata lerão micro-contos realizados pelos integrantes do Sarau Bem Legal em oficina ministrada por Marcelino Freire em 2011.

Sankofa African Bar - Pelourinho - 03/04/13 - 20h
Entrada Franca

2- CANTOS NEGREIROS
Uma noite de Contos e Música

Apresentação de leitura de contos do livro Contos Negreiros como autor Marcelino Freire, intercalados com o canto de clássicos da música popular por Aloísio Meneses, com participação especial do mestre percussionista Jorjão Bafafé.

Teatro Solar Boa Vista - Engenho Velho de Brotas
Sexta-feira, 05/13, 20h
Entrada: R$ 10,00
Antecipados: R$ 5,00 (meia entrada para todos)

*Ingressos antecipados: no Sarau Bem Black na quarta (03) ou com seus componentes e parceiros durante a semana, até quinta-feira (04).
BLACKITUDE RECEBE MARCELINO FREIRE

1- SARAU BEM BLACK
Uma noite de Conto e Poesia 

Leituras de contos com Marcelino Freire (PE-SP), Chicco Assis (BA), Danielle Anatólio (BH-BA), Josiane Acosta (POA-BA), Vera Lopes (POA-BA), Zezé Olukemi (BA)

:: Lucinha Black Power e Luíza Gata lerão micro-contos realizados pelos integrantes do Sarau Bem Legal em oficina ministrada por Marcelino Freire em 2011.

Sankofa African Bar - Pelourinho - 03/04/13 - 20h
Entrada Franca

2- CANTOS NEGREIROS
Uma noite de Contos e Música 

Apresentação de leitura de contos do livro Contos Negreiros como autor Marcelino Freire, intercalados com o canto de clássicos da música popular por Aloísio Meneses, com participação especial do mestre percussionista Jorjão Bafafé.

Teatro Solar Boa Vista - Engenho Velho de Brotas
Sexta-feira, 05/13, 20h
Entrada: R$ 10,00
Antecipados: R$ 5,00 (meia entrada para todos)

*Ingressos antecipados: no Sarau Bem Black na quarta (03) ou com seus componentes e parceiros durante a semana, até quinta-feira (04).

segunda-feira, 25 de março de 2013

Grupo de rap Opanijé lança clipe e faz pocket show no Sarau Bem Black


O Sarau Bem Black promove mais um momento marcante nesta quarta-feira (27/03) no Sankofa African Bar, Pelourinho. O encontro poético-musical, que acontece semanalmente há três anos e meio, tem a honra de receber o grupo de rap baiano Opanijé. Formado por Lázaro Erê, Rone Dum-dum e Dj Chiba D, o trio vem consolidando uma carreira muito promissora e é um dos destaques da cena do hip hop local. E é um pouco dessa trajetória que o grupo apresenta no Sarau Bem Black, quando exibe, em primeira mão, o clipe Se Diz, que tem roteiro do próprio grupo e direção de Evanildo Soares.  

O Sarau Bem Black faz parte das ações etno-culturais do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia e tem apresentação de Nelson Maca, Mil Santos e Álvaro Réu. Conta com as participações fixas das poetas juvenis Luiza Gata e Lucinha Black Power e do DJ J.O.E, responsável pelas intervenções musicais que já são a marca do evento. A cada semana, o repertório é cuidadosamente escolhido, a partir do formato de cada edição. Esta semana,  o Dj J.O.E trará a música do grupo convidado, o Opanijé!, que está em fase de gravação do primeiro CD. 

Com entrada gratuita, a programação começa às 20h. Além da habitual jornada literária - com microfone aberto a todos os interessados em declamar -  acontecerá bate-papo com os integrantes do grupo que, ao final, fazem pocket-show. Venha e traga sua poesia.


Opanijé

O grupo de RAP Opanijé (Organização Popular Africana Negros Invertendo o Jogo Excludente) surgiu no final de 2005, tendo como integrantes Lázaro Erê (voz e letras), Rone Dum-Dum (voz e letras) Dj Chiba D (toca-discos) e Zezé Olukemi (percussão).  Com a proposta de fazer RAP com letras que exaltam a cultura negra e a ancestralidade africana, a banda une samplers, efeitos e batidas eletrônicas aos elementos mais tradicionais da cultura afro-baiana, como berimbaus, instrumentos percussivos e cânticos de candomblé. A Opanijé já se apresentou ao lado dos paulistanos Thaide, Z'áfrica-Brasil, do brasilense GOG, do carioca B. Negão, com os haitianos Vox Sambou e Diegal, do grupo Nomadic Massive, radicado no Canadá, dos norte-americanos Nobody Famous e Dj Bobbyto. Vale destacar também a participação em eventos que contaram com a presença de artistas nacionais e internacionais consagrados como Jards Macalé, Orquestra Rumpilezz, Emerson Taquari, Miquel Gil (Catalunha), Rajery (Madagascar) La Revuelta (Colômbia) Percadu (Israel) entre outros. www.myspace.com/opanije 


SERVIÇO
Evento: Sarau Bem Black recebe Opanijé para lançamento do clipe "Se Diz" e pocket show
Quando: Quarta (27/03/13), às 20h
Onde: Sankofa African Bar, Pelourinho
Entrada gratuita

Contato: Ana Cristina Pereira (9176-5755) e Nelson Maca (9130-4618)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Concerto para Auristela - BA

(Clique na imagem para ampliá-la)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Documentário sobre Itamar Assumpção, "Daquele Instante em Diante"

por Mateus Potumati




No salão do cinema, os convidados para a cabine de “Daquele Instante em Diante”, primeiro filme dedicado à obra de Itamar Assumpção, se dividiam entre trocar olhares resignados e fazer qualquer coisa para passar o tempo. Por um capricho do projetor, o início da sessão estava atrasado em quase duas horas. Quando a questão técnica enfim foi resolvida, Luiz Chagas, guitarrista da primeira formação da banda Isca de Polícia, se levantou, expressão de alívio no rosto. Comentei que nada a envolver Itamar jamais havia sido fácil. Ele sorriu e comentou, perplexo: “Parece brincadeira, né, bicho?”


Em todo o curso de seus pouco mais de 20 anos de carreira, a palavra “fácil” raramente foi usada em relação a Itamar Assumpção. Dos anos de teatro em Londrina à dramática luta contra o câncer que o levou em 2003, a vida do artista foi marcada por um ímpeto incansável em não fazer concessões de qualquer natureza – e não se fala aqui apenas de generalizações como “fazer músicas comerciais”, mas de práticas correntes e aceitas por autores de respeito, como a simples presença de um produtor musical ou negociar direitos fonográficos nos termos de uma gravadora. Essa e outras características famosas na personalidade de Itamar – em iguais doses controlador, perfeccionista, prolífico, angustiado, ácido e absolutamente genial – são exploradas com rigor e imersão inéditas nos 110 minutos da aguardada biografia dirigida por Rogério Velloso.



A grande novidade do filme nesse sentido, porém, é apresentar um lado de Itamar Assumpção até então desconhecido do público (modesto, mas extremamente fiel) que o acompanhou: o homem de família, extremamente dedicado, que cultivava orquídeas e mandava cartas às filhas e à mulher sempre que viajava. Por meio de depoimentos da família e de artistas mais próximos, Velloso contrapõe os dois mundos em que Itamar vivia: a loucura urbana do centro de São Paulo, com uma rotina de trabalho incansável e noites alucinadas, e a vida quase bucólica, típica do interior, que ele levava na Penha, Zona Leste da cidade. Nessa simbiose com a capital paulista, ficam evidentes as contradições que o artista vivia – é impossível não lembrar dos versos de “Persigo São Paulo”, lançada no álbum póstumo “Pretobrás III”, de 2010: “São Paulo é uma outra coisa / não é amor exatamente / é identificação absoluta / Sou eu / Eu não me amo, mas me persigo / Eu persigo São Paulo”. Aqui, exerce papel fundamental o caráter de intimidade e informalidade exposto nas entrevistas, reforçado pela opção de Velloso por uma câmera mais solta, com enquadramentos e focos pouco convencionais para esse tipo de filme, e por elementos de narrativa visual recorrentes – boa parte dos depoimentos foi gravada na cozinha dos entrevistados, com xícaras de café e alimentos sempre à mostra, por exemplo.



Na parte musical, “Daquele Instante...” é ainda mais desbravador. Em um trabalho que consumiu mais de dois anos, Velloso, a produtora Carol Dantas e a equipe do Itaú Cultural (que financia o filme, como parte da série “Iconoclássicos”) realizaram uma pesquisa de imagens profunda e abrangente, que vasculhou o acervo das TVs Globo, Cultura e Bandeirantes, além de particulares e do próprio Itaú Cultural. O conjunto reunido contém preciosidades nunca divulgadas, como shows da Isca de Polícia no começo dos anos 1980 na TV Bandeirantes e no mítico teatro Lira Paulistana. As imagens mostram o vigor explosivo de um conjunto no auge da criatividade e ousadia, cuja mistura de MPB, reggae, rock e funk não teve paralelos na história da música brasileira. “Pra mim, aquilo ali é Rolling Stones”, chega a dizer um fã, fazendo referência ao quarteto original da Isca de Polícia: o genial baterista Gigante Brazil, morto em 2008, o baixista Paulo Lepetit, fiel escudeiro de Itamar, Luiz Chagas e Itamar Assumpção. A comparação, ainda que um tanto redutora musicalmente e injusta quanto ao papel das vocalistas Suzana Salles, Virgínia Rosa e Vânia Bastos, exemplifica o entusiasmo que a Isca de Polícia gerava no público roqueiro que crescia no país. Nas apresentações, no entusiasmo dos apresentadores e nos recortes de jornais da época, a sensação é a de que Itamar Assumpção, por um breve momento, teve público e mídia na mão. O próprio Chagas admite ter pensado que “ficaria rico” após um show com casa lotada, sem suspeitar que, em poucos anos, a explosão do rock nacional absorveria esse público e passaria como um trator por trabalhos mais exigentes como o de Itamar e do parceiro Arrigo Barnabé.



Aliás, se há algo que o filme de Velloso ajuda a desmistificar é a ideia difundida em certos segmentos de que seus discos nunca foram populares porque eram “difíceis”. Seja nos anos da Isca de Polícia ou no trabalho posterior como compositor, Itamar Assumpção produziu uma obra de toque inegavelmente popular, que empolga na mesma medida que corta até o osso. “É como se, para chegar até as pessoas, eu precisasse evitar ser popular”, ele diz, em uma das suas muitas declarações emblemáticas. Em outra, ele complementa: “As pessoas me perguntam quando eu vou fazer sucesso. Eu faço sucesso o tempo todo”. Marcadas por seu humor implacável e transparência rasgante, declarações como essas nunca passam batidas pelo espectador, como sua música. Quando fala sobre Arrigo, ele revela pontos importantes sobre seu próprio estilo de composição: “Eu percebi que um negão metido a compositor como eu tinha que entender aquele tal de Arrigo Barnabé. O samba e a música brasileira eram naturais em mim, as outras coisas eu tive que estudar: atonalismo, música contemporânea etc.” Em outro trecho, falando com Antônio Abujamra, ele complementa: “Às vezes as pessoas falam ‘Ah, o Arrigo é chato’. Chato é você, que não entende o que tá acontecendo ali!” Ele também não mede palavras ao falar de cânones da MPB: “Será que a música brasileira vai ser sempre Caetano e Gil?”, ele pergunta em um trecho. Ao fundo, ouvem-se os versos “Ser carioca e baiano/ Por que que eu não pensei nisso antes?” (é de outro verso dessa mesma música, por sinal, que saiu o título do filme). Há um gosto amargo em constatar que declarações com esse peso não tenham repercutido como poderiam na época, e principalmente que a fome do artista por conhecimento e pela renovação da música pop/popular praticamente não tenha encontrado eco, seja na MPB, que depois dele pouco fez além de festejar sua própria história, seja no rock, mais preocupado em emular ídolos anglo-saxões.



Independência forçada?



Obviamente, nem tudo foi “culpa do mercado”. Itamar, em certa medida, optou por ser independente (9 dos seus 12 discos foram lançados por ele próprio ou por selos pequenos). Queria ser reconhecido como artista popular, mas não queria ou não conseguia jogar o jogo, numa época em que a ideia de música independente fazia pouco ou nenhum sentido. O assunto é abordado por vários pontos de vista diferentes e complementares, com depoimentos que chegam a ser hilários, como os de Paulo Lepetit (para quem “o sucesso bateu várias vezes na porta do Itamar, mas ele nunca atendeu”). Outros dão conta do lado extremamente controlador do artista, que fazia questão de ter poder de decisão absoluto sobre tudo que envolvia o seu trabalho, mesmo que isso muitas vezes resultasse em discos mal gravados. O depoimento mais interessante, porém, talvez seja o de uma amiga bem próxima, que diz que a opção do artista criou uma obra 100% intacta, exatamente como foi concebida por ele. De fato, algumas tentativas de produção mais “profissional” em discos do compositor geraram resultados de gosto duvidoso, como a trilogia “Bicho de Sete Cabeças”, gravada com a banda feminina Orquídeas do Brasil no começo dos anos 1990. Nesses discos, a produção muito limpa e os timbres ainda presos nos anos 80 (incomoda especialmente o reverb exagerado da bateria) têm um gosto inegável de subproduto, plasfiticando com embalagem reciclada um conteúdo que deveria ser mantido ao ar livre. É verdade que o disco em homenagem a Ataulfo Alves (“Pra Sempre Agora”) e “Isso Vai Dar Repercussão”, com Naná Vasconcelos, se beneficiaram muito da produção cuidadosa, mas discos “artesanais” da fase da Isca de Polícia, como “Sampa Midnight” e “Às Próprias Custas S/A”, sempre criticados em termos de produção, têm a força de um diamante bruto e é questionável que algum produtor do país à época pudesse ter efeito positivo sobre eles.



Itamar além do senso comum



Um elemento interessante no filme é a destreza com que ele se posta além dos clichês sobre Itamar – em especial o mais batido deles, o do “artista maldito”. Ciente da força que o trabalho do biografado tinha ao vivo, o diretor deixa as imagens falarem por si e vai tecendo uma trama intuitiva, emocional, de um pesquisador sério e apaixonado, que deixou fatos e depoimentos falarem mais alto do que ideias preconcebidas. O tom emocional dá certo na maior parte do filme e chega a arrancar lágrimas, especialmente nas imagens dos últimos shows do artista e em depoimentos como o do guitarrista Luiz Waack. Em alguns momentos, porém, o documentário tenta criar situações emotivas que acabam soando artificiais, abusando de focos exagerados nos entrevistados que remetem à teledramaturgia. Esses deslizes, contudo, são pequenos e estão longe de estragar o filme.



Outro ponto controverso sobre Itamar que está quase ausente é o abuso de drogas. Alguns entrevistados falam de forma genérica sobre “a loucura” do artista (a filha Anelis é quem vai mais longe, ao falar do pai "junkie"), mas o tema só é abordado diretamente no final, pelo próprio. Já no fim da vida, prestes a enfrentar outra seção de quimioterapia, ele sentencia, com seu humor característico: “Prefiro as minhas drogas, elas são mais leves”. Especula-se que o músico fumava crack, mas esse assunto nunca foi discutido publicamente (incluo aqui a reportagem assinada por mim na Soma #14). Não se sabe em que quantidade ou frequência ele consumia essa e outras drogas, e principalmente em que medida o hábito (vício?) influenciou sua doença, vida pessoal e música. O fato de o filme não avançar nesse sentido pode deixar um sentimento de frustação em princípio, especialmente se considerarmos a obra em perspectiva histórica, como provável peça única sobre o artista. Ainda mais se levarmos em conta que o tema, tabu na imprensa e na sociedade brasileira, é via de regra pouco ou nada explorado nos documentários musicais (outro exemplo é a biografia de Jards Macalé), ou então é tratado com sensacionalismo. Como comparação, qualquer filme sobre Coltrane ou Charlie Parker passa obrigatoriamente pelo vício de ambos em heroína, droga que teve papel central no nascimento e em todo o desenvolvimento do be-bop. Entretanto, compreende-se a escolha do diretor, que, longe de fazer um filme careta, optou por um recorte mais musical e intimista, focando em controvérsias que talvez sejam mais pertinentes para o momento atual, de resgate da obra do compositor.



 “Daquele Instante em Diante” é um filme obrigatório a todo interessado em música brasileira e a qualquer compositor que deseja produzir algo relevante (é um universo inteiro a ser desvendado pelo rap, por exemplo). Mas não só isso: também é surpreendente ao espectador que conhece pouco ou nada sobre a obra de Itamar Assumpção. Ali, na boca dos amigos e parceiros e nas imagens de apresentações realmente únicas, está o retrato vivo de um homem extraordinário e de um artista inigualável na história da música mundial.

FONTE: Soma AM

domingo, 6 de janeiro de 2013

Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada


Refletir, pensar, discutir, analisar a escrita teatral dos diversos autores negros brasileiros e contemporâneos nos dias de hoje. Esse é o principal tempero da mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada, projeto que reúne companhias dos Estados da Bahia e São Paulo no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na Funarte. Até o mês de abril de 2013, espetáculos, palestras, debates e leituras dramáticas dão nomes, vida e cores para o teatro negro. Oportunidade para acompanhar discussões sobre a existência ou não de uma estética própria da dramaturgia negra, a derrubada de rótulos a respeito do tema teatro negro, a evolução desta escrita e sua visibilidade perante o universo teatral. Assuntos que, infelizmente, estão fora da grande mídia. O projeto é uma continuidade ao processo iniciado pelo Teatro Experimental do Negro (TEM), criada em 1944 pelo mestre Abdias do Nascimento, em conjunto com o Teatro Profissional do Negro (Telepron), formado por Ubirajara Fidalgo. A Kultafro conversou com Aldri Anunciação, coordenador do projeto, autor e ator do espetáculo “Namíbia, Não!”, que tem a direção de Lázaro Ramos e integra a programação. Neste espetáculo, Aldri divide o palco com o ator Flávio Bauraqui. Natural de Salvador, Bahia, Aldri Anunciação é ator e dramaturgo formado em Teoria Teatral pela Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Kultafro – percebe-se pela curadoria realizada para a montagem da programação da mostra a questão racial não foi preponderante, ou seja, não foi foco único. Por que? Aldri Anunciação – Quando se fala de dramaturgo negro-brasileiro pensa-se logo em peça teatral engajada na questão racial. Muito interessante essa relação, mas tenho percebido que o autor negro brasileiro, sobretudo jovem, tem feito uma dramaturgia mais ampla, discutindo questões humanas de alcance que vão muito além da questão étnica. Eles discorrem também sobre o ciúme, sobre o amor, sobre a ambição, sobre o “ser ou não ser”. Portanto considero reducionista a ideia de que o dramaturgo negro-brasileiro-contemporâneo escreve peças somente sobre racismo. Isso não é verdade. Por isso nossa curadoria do Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada pautou sua pesquisa em peças teatrais pudesse desmistificar esse rótulo ao autor negro.
Kultafro – São 18 autores negros da dramaturgia contemporânea brasileira, além das leituras dramáticas e palestras. Conte como foi o processo de curadoria dos espetáculos para compor a mostra. Aldri – Partindo do pensamento que o atual dramaturgo negro- Brasileiro é politemático, realizamos nosso processo de busca assistindo à diversos Festivais de Teatro existentes no Brasil como o FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia) e o FILTE (Festival Latino Americano de Teatro). Os festivais de teatro brasileiros atingiram uma excelência na sua composição que ajudou muito nesta investigação.
Kultafro – Apesar de termos uma grande quantidade de autores negros no cenário de teatro no Brasil, acha que ainda somos “invisíveis”? Aldri – A invisibilidade do dramaturgo é um processo quase natural nas artes cênicas posto que ele não está fisicamente no palco durante encenação. O que não deve estar invisível são as suas ideias. O que acontece é que o dramaturgo negro ultimamente não tem falado somente sobre questões étnicas, então quando ele apresenta algo diferente dessa temática, não é registrado que se trata de uma dramaturgia negra. Mas esse registro é importante historiograficamente. Vivemos em um pais que teve um passado escravocrata, então é necessário registrar essa nossa evolução, e, sobretudo, a evolução estética da escrita do negro. Isso poderá quebrar alguns paradigmas e resquícios de conceitos equivocados sobre a população afrodescendente do Brasil. Além de mostrar um pensamento genuíno de quem vive (e viveu) essa evolução e transformação social. Nosso ponto de vista sobre questões humanas e sociais é diferenciado por conta da nossa história brasileira. Por isso a importância de dar visibilidade a essa dramaturgia.
Kultafro – Como surgiu a idéia do projeto? Aldri – Surgiu de uma pergunta que me fizeram em 2011, de como eu me sentia sendo um do únicos dramaturgos negros no Brasil. Naquele momento, eu percebi que as pessoas precisavam enxergar a ascendência dos diversos dramaturgos jovens e negros que eu conheço e admiro. Não sou um dos únicos dramaturgos negros, mas sim um dos MUITOS dramaturgos negros que existem! Kultafro – Além de “Namíbia, Não!”, qual o outro grande destaque da mostra e porque. Aldri – Namíbia tem uma especificidade por tratar a questão étnica em um jogo teatral onde o racismo não é discursado pelos personagens, mas sim articulado no pensamento do espectador, que observa aqueles dois primos confinados. Mas o espetáculo é apenas mais uma dramaturgia colocada em cena dentro da mostra, que é composta por diversos estilos e estéticas teatrais.
Kultafro – Conte um pouco do que está acontecendo durante as palestras que estão sendo realizadas durante a mostra e a importância dessas discussões para a cultura negra. Aldri – O que tem acontecido durante as palestras e debates é algo que considero muito rico para as artes cênicas, que é uma discussão e investigação sobre existência ou não de uma estética própria da dramaturgia negra brasileira. Como a dramaturgia negra esteve muito ligada a questões sociais, ela sempre foi foco de estudo das áreas antropológicas e de sociologia. Pouco se discutiu a dramaturgia negra brasileira no âmbito estético das artes cênicas. Tenho achado um momento precioso para podermos investigar esse material cênico. Estamos projetando transformar essas palestras e debates em livros, para que essa discussão exista como registro para estudos.
Kultafro – O espetáculo “Namíbia, não!”, cuja a autoria do texto é sua, fala sobre o quanto estamos longe de um sociedade racial e social em pé de igualdade.Quais foram as principais questões que nortearam a concepção do texto Aldri – Posso afirmar que uma das mais importantes questões foi justamente a necessidade do reconhecimento identitário. Desvendar o que se é no presente, a partir de um simples olhar ao passado histórico, seguido de um outro movimento de olhar para o futuro, sintetiza a situação teatral dos dois primos (personagens ) do espetáculo Namíbia,Não!. Acho que até por isso o jovem (negro ou branco) se interessa tanto por Namíbia. Pois ele fala de identidade brasileira, de busca de uma singularidade cultural e social brasileira e possível, apesar do passado histórico na condição de colonizados e naturalmente absorventes de uma outra cultura. Óbvio que este passado nos deixou sequelas sócio-culturais e com alguns vícios. Mas Namíbia,Não! , se observado nas entrelinhas, fala de uma possibilidade otimista de afirmação de uma singularidade.
Kultafro – Como foi trabalhar com o Lázaro Ramos? Foi a primeira parceria? Qual é a principal colaboração do artista para este projeto? Aldri – A participação de Lázaro Ramos foi essencial neste trabalho pela sua capacidade de estimular a equipe, e pela sua força criativa. Trabalhar com um diretor como ele, tem suas dores e delicias!Como diretor, ele tem a doçura e fúria dos jovens, misturado com a sabedoria dos veteranos!
Kultafro – Na sua opinião, como está o panorama da dramaturgia negra no Brasil Aldri – A dramaturgia negra brasileira está esteticamente em ebulição, e agregando diversos temas na sua escrita! Está cada vez mais ampla, redimensionando seu publico.
Kultafro – A dramaturgia negra é discutida no âmbito acadêmico? Aldri – Eu fiz duas faculdades de Teatro, e posso afirmar que o material apresetado nas universidades é muito pouco e insuficiente. Os colegiados deveriam criar matérias exclusivas para o tema dentro do espaço acadêmico de graduação, e não ficar limitados aos mestrandos e doutorandos que são verdadeiros salvadores desse material tão vasto e rico esteticamente.
Kultafro – E como o público de São Paulo tem recebido os espetáculos? Qual sua expectativa para os espetáculos que serão apresentados em 2013, na Funarte? Aldri – A mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada está apenas começando. Estaremos até abril no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, e essa avaliação seria prematura caso fosse feita agora. Posso dizer que Namíbia,Não! (que fica até 17/02 sempre de quinta a domingo às 20hs) tem recebido uma platéia bastante heterogênea e interessada. Diverte-se e reflete sobre essas questões. Minha expectativa é (claro) ter a presença do maior número de espectadores nos espetáculos e nas palestras-debates, e poder contribuir de alguma forma com o parâmetro cultural paulista!

Serviço
Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada
Até 7 de abril de 2013 no Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, tel (11) 3256-9463
Informações sobre toda a programação:
http://www.melaninaacentuada.com.br

FONTE: Kultafro